Quando disse que ia fazer um mochilão sozinha pela Colômbia, ouvi de tudo: “É perigoso”, “Vais sozinha?”, “Não tens medo?”. Mas é óbvio que tinha medo! Ia para o desconhecido, mas não deixei que ele controlasse as minhas decisões.Depois de mais de 6 anos a experienciar o mundo, posso dizer que viajar sozinha é um caminho sem volta. Foi a melhor decisão que tomei, apanhar o avião para Bogotá.
Cheguei no mês de agosto a Bogotá. É uma cidade enorme, com bastantes coisas para fazer! Por lá, encontrei uma amiga que conheci na Austrália e tive a sorte de ver Bogotá através dos olhos de um local. A Adriana foi incansável e a sua família é linda, recebi muito amor por lá.
Recomendo Bogotá para um par de dias. A capital colombiana assusta um pouco ao início pelo tamanho e pelo trânsito, mas tem uma energia cultural única. Como mochileira e mulher a viajar sozinha, o segredo aqui é saber exatamente onde circular. Inclusive, conheci muitas mulheres a viajarem sozinhas por lá. Uma delas, que me deu uma inspiração incrível, foi uma senhora de 70 anos a viajar sozinha. Isso mostra, sem dúvida, que a idade não te impede de viver os teus sonhos.
O que eu tinha mais curiosidade em fazer, sem dúvida, era provar o café colombiano numa cafetaria local, e esse foi um dos nossos primeiros planos!

O Meu Ritual de Chegada: As Primeiras Coisas que Faço
Garantir Internet Barata (SIM Card Local): Assim que cheguei, fui a uma loja local na rua para comprar um SIM card físico da Colômbia (de operadoras como Claro ou Tigo). Para quem viaja sozinha de mochilão, esta é a opção mais barata! Dá um bocadinho mais de trabalho no primeiro momento porque ficas sem rede do aeroporto até à cidade, mas a poupança no orçamento final vale totalmente a pena.
Trocar Euros por Pesos Colombianos: Leva euros em espécie! Os multibancos (ATMs) na Colômbia cobram taxas abusivas (pediam-me cerca de 6€ por cada levantamento). Ficou mais em conta ir direto a uma casa de câmbio na cidade trocar o dinheiro vivo.
O Cartão que levo para pagamentos: Para gerir os meus gastos nesta viagem, levei o meu cartão Revolut e foi uma ajuda incrível. A grande vantagem é que ele não cobra taxas nenhumas quando fazes pagamentos diretos com o cartão (como em supermercados, hostels maiores ou restaurantes), usando a taxa de câmbio real e justa. [Clica aqui para criares a tua conta gratuita no Revolut através do meu link].
BOGOTÁ
Como se Mover em Bogotá: Guia Rápido
- Aplicações (DiDi, Uber): A opção mais segura para mulheres a viajar sozinhas. Usa o DiDi, é o mais popular e barato. Evita táxis da rua; pede sempre pela app para ter a viagem registada. É normal o motorista pedir para ires no banco da frente, pois o sistema da Uber não é algo legal então os condutores podem ser multados.
- TransMilenio (Autocarro Rápido): O melhor para fugir ao trânsito porque tem faixa exclusiva. Precisas de comprar o cartão Tullave na estação. Aviso: Evita as horas de ponta (07h-09h e 17h-19h30), é muita muita gente. Mantém a mochila à frente.
- Caminhar: Ótimo para explorar La Candelaria ou Usaquén de dia. À noite, mesmo para distâncias curtas, prefere sempre pedir um Uber.
Zonas Seguras: Onde ficar em Bogotá
Para nós, mochileiras, o segredo é focar nas áreas certas:
La Candelaria
É o coração histórico e o ponto de encontro dos mochileiros do mundo inteiro. As ruas são cheias de grafites e cafés. É uma zona muito movimentada de dia, mas fica deserta e um bocadinho mais perigosa à noite. O segredo aqui é não caminhares sozinha por ruelas escuras após o entardecer e preferires apanhar um Uber se fores sair.

O que Visitar: O Resumo do que Realmente Vale a Pena
Se tens apenas um par de dias em Bogotá, foca-te nisto:
- Subir ao Cerro de Monserrate: Podes subir a pé (é gratuita) ou de funicular (paguei cerca de 8€ porque fui à tarde). Atenção: A pé só se pode subir até às 13h e descer até às 16h. A vista lá de cima sobre a imensidão da cidade é LINDA! Tenta ir de manhã cedo ou ao fim do dia para ver o pôr do sol.

- Explorar La Candelaria e a Praça Bolívar: Caminhar pelo centro histórico é respirar a história da Colômbia. As ruas são cheias de casarões coloridos e grafites incríveis.
- Visitar os Museus Principais: O Museu Botero é gratuito e tem obras de arte super divertidas. Já o famoso Museu do Ouro é gratuito todos os domingos. Dica: Vai ao domingo de manhã bem cedo porque costuma encher bastante.
- Viver a Ciclovía aos Domingos: O meu plano favorito! Todos os domingos e feriados, mais de 120 km das avenidas principais fecham para os carros das 07h às 14h. As estradas ficam exclusivas para bicicletas, patins e peões. A energia na rua é maravilhosa!

- Provar a Comida de Rua/ Mercados: As frutas da Colômbia são incríveis, eles têm uma diversidade enorme! Não deixes de provar o tradicional chocolate quente com queijo derretido lá dentro. Soa estranho, mas prometo que a combinação é deliciosa. Prova também as Obleas na rua (bolachas gigantes recheadas com doce de leite e queijo).
A um domingo, o plano obrigatório é o Mercado de Pulgas de Usaquén. As ruelas enchem-se de artesanato, música e muita vida local. Foi lá que aproveitámos para beber sumos de fruta naturais, eu pedi uma limonada de coco (viciante) e a minha amiga um sumo de Lulo, uma fruta cítrica super famosa por cá. Custou apenas 5 mil pesos cada sumo (pouco mais de 1€).

Depois de Bogotá, segui em direção ao Caribe colombiano. Cheguei pelo o aeroporto de Santa Marta após um voo de cerca de 1h30 minutos. Os voos internos na Colômbia são superbaratos, paguei cerca de 19 euros pela viagem. Por vezes, compensa mais ir de avião do que de autocarro.
Santa Marta
Foi esta a minha primeira impressão do Caribe colombiano, Santa Marta, apesar de ser uma cidade com a sua própria identidade, a verdade é que, como mulher a viajar sozinha, não me senti muito descontraída. O assédio na rua era constante, com muitos assobios e piropos, o que me desagradou bastante. Além disso, a cidade tem uma população sem-abrigo considerável e o ambiente noturno não é o melhor, não recomendo que andem sozinhas à noite. Santa Marta serve apenas como um ponto de passagem prático para quem planeia ir ao Parque Tayrona ou a Minca. Como o meu destino final era Palomino, se soubesse o que sei hoje, teria optado por ficar hospedada perto do parque, tem hospedagens incriveís e fica de caminho a Palomino, ou seja, não tens de voltar para Santa Marta para ir buscar as tuas coisas.
Apesar de a cidade em si não ser a mais bonita, se precisares de passar por lá ou quiseres fazer um turismo mais histórico, há algumas coisas interessantes para ver no centro. O grande destaque vai para a Catedral Basílica de Santa Marta, a igreja mais antiga da Colômbia. Foi precisamente ali, sob o altar, que Simón Bolívar (o Libertador da América do Sul) foi enterrado logo após a sua morte em 1830. Embora os seus restos mortais tenham sido trasladados para a Venezuela em 1842, a igreja ainda guarda as placas e o monumento memorial que marcam a sua primeira sepultura.
Tens também a praça principal do centro histórico. Durante o dia é tranquila, e ao final da tarde ganha vida com vários restaurantes e esplanadas ao redor.
Os locais que visitei foram:
Parque Nacional Natural Tayrona
Para ir de Santa Marta até ao parque, apanhei o autocarro que passa no mercado principal. Ao chegares lá, vais ver várias pessoas a anunciar “Parque Tayrona”. Recomendo ir cedo, para aproveitar bem o dia. Os autocarros públicos funcionam como carrinhas (minivans) e paguei cerca de 2,40 euros pela viagem.
Foi precisamente nessa viagem de autocarro que fiz amigos! Era um casal de colombianos que me acolheu logo ali. Quando chegámos à entrada do parque, convidaram-me para fazer a caminhada com eles, ofereceram-me um gelado e fomos a conversar o caminho todo até ao ponto principal, o Cabo San Juan.
O bilhete comprei-o diretamente na entrada principal, onde o autocarro nos deixa. É obrigatório pagar também um seguro de saúde diário no total, com o seguro incluído, ficou por cerca de 21 euros. Os bilhetes estavam mais baratos, pois eu fui em temporada baixa, em temporada alta são um pouco mais caros.

Depois de comprares os bilhetes, encontras outras carrinhas (shuttles) que te levam até ao ponto exato onde começa o trilho. Se optares por não pagar este transporte, vais demorar cerca de uma hora a pé só para chegar ao início do caminho. Para quem vai apenas passar o dia, recomendo pagar a carrinha custou cerca de 1,40 euros e chegas lá muito mais rápido. Assim aproveitas melhor as praias e a natureza, até porque não perdes nenhuma paisagem especial neste trajeto inicial, que é apenas uma estrada de terra batida.
Quando chegámos ao Cabo San Juan, o casal de colombianos ficou por lá, porque iam acampar uma noite (o parque tem parques de campismo disponíveis com tendas e redes). Como eu ia apenas passar o dia, decidi ir um pouco mais além até à praia seguinte para explorar mais um pouco.
Desfrutei da praia durante duas horas e comecei a fazer o caminho de regresso para apanhar o autocarro de volta. Fiz este trajeto de volta completamente sozinha e quase não cruzei com ninguém. Foi uma paz absoluta e senti-me incrivelmente conectada com a natureza. No total, a caminhada foi de cerca de 4 horas a 4 horas e meia por trajeto.

No caminho de regresso vim num autocarro que fazia o trajeto até Cartagena, onde parava no terminal de Santa Marta, onde depois tinha de apanhar outro transporte até ao centro. Fui sentada no chão pois não havia mais lugares, mas o bom foi que vim à conversa com os condutores e ofereceram-me a viagem! Desde o terminal apanhei o transporte público, autocarro, que passava pelo hostel que estava hospedada(La guaca, ambiente bastante tranquilo).
Palomino
Palomino foi uma aventura! Foi o primeiro intercâmbio que fiz: em troca de alojamento e pequeno-almoço, eu oferecia serviços de fotografia e vídeo para o hostel. Passei 5 noites no Bella Flor Hostel, muito tranquilo e perto da praia.
Neste pueblito temos a facilidade de escolher se queremos ir ao rio, ao mar ou à montanha, temos os três num só lugar. É um lugar de paz, onde se pode encontrar várias aulas de meditação, ioga e atividades como surf ou tubbing.
Eu fiz o tubing tour, onde primeiro fiz um hiking de subida pela montanha, de cerca de uma hora, até a uma comunidade indígena. Vimos a comunidade e depois descemos numa boia até onde o rio se cruza com o mar. Esse trajeto foi de cerca de 1h30, só a flutuar a descer o rio. Há também a possibilidade de não ir à comunidade indígena e só fazer o tubing, evitando o hiking até lá. Para esta atividade, recomendo levar uma camisola com proteção UV ou algo para cobrir a pele, pois o sol é muito forte. Não te esqueças também do protetor solar, de água e de uma bolsa impermeável para proteger as tuas coisas.

Pode-se encontrar uma grande variedade de comida em Palomino, há várias opções e bastante boas. Eu recomendo o meu lugar favorito, que é o Laurel Vegan Street Food, delicioso e super bem servido! Lá também provei uma fruta que adorei e achei super diferente, chamada mamey. Além disso, experimentei o famoso pescado frito con arroz com coco (acompanhado por patacones e salada), que comi num restaurante logo ao lado do rio.
